Outra vez, ao fazer uma reportagem sobre a extinta revista Realidade, o meu entrevistado, o fotojornalista Walter Firmo, instigou-me a fazer algo nunca antes feito: conhecer minha cidade de nascimento. Tudo porque, ao fim da entrevista, o escutei dizer que no dia seguinte estava indo a trabalho à Juazeiro do Norte, localizada no extremo sul do estado do Ceará. Ele ficou surpreso quando revelei não conhecer o lugar onde nasci e por ter vindo a São Paulo, no colo de minha mãe, sem registro, com apenas um mês de vida. Seu alerta foi convincente quando me disse: "um jornalista não pode contar histórias sem conhecer a origem da sua."
Ao visitar, o conselho do fotojornalista tinha razão: viver sem conhecer o passado é andar no escuro. Regressar com minha mãe ao lugar onde nasci fez clarear e costurar a linha do tempo da minha vida. Bares, restaurantes, balneários, bons encontros e colher depoimentos de pessoas que testemunharam meu nascimento é precioso para entender a minha própria história.
De tudo o que aconteceu, durante minha estadia no sul do Ceará, conhecer a pessoa que me deu o primeiro banho foi emocionante, extremamente significativo. Essa personagem é a barbalhense, Maria Aicê da Silva Pereira, mais conhecida como "Dona Aicê", uma senhora de 75 anos com certas debilidades de saúde. Soube que ela estava ansiosa para reencontrar o frágil bebezinho que havia banhado há 31 anos. Dona Aicê me contou que depositou na banheira uma aliança de ouro, no intuito de desejar prosperidade. Confesso que a palavra mais precisa nesse encontro foi GRATIDÃO. O olhar de felicidade, por eu estar ao seu lado, me fez enxergar que a vida ainda se perpetua, quando é feita de generosidade. Fascínio pra mim.
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