Páginas

terça-feira, 11 de agosto de 2026

"O cristão nunca tem prejuízo."



Confesso que, quando ouvi essa frase contida nesse título, algo dentro de mim estranhou. Afinal, como afirmá-la depois de uma semana em que tudo parecia apontar para o contrário?

Há poucos dias, eu e meu amigo Celso fomos vítimas do golpe conhecido como “Boa Noite, Cinderela”. Perdemos celular, documentos, dinheiro e, por algumas horas, até a tranquilidade. Humanamente falando, prejuízo era a palavra mais óbvia para definir o que aconteceu.  Pela gravidade, o caso teve grande repercussão. Saiu amplamente nas grandes mídias, como no UOL, Record TV, Band TVMas Deus, como tantas vezes faz, resolveu escrever a história por outro caminho.

No domingo, 2 de agosto, Celso, que mora no Canadá, confundiu-se com o fuso horário de Montreal e acreditou que ainda estava na hora inicial do culto noturno da Congregação Cristã no Brasil. Quando chegou ao templo, a cerimônia já estava praticamente terminando. Entrou em silêncio, convencido de que receberia apenas os últimos instantes daquela reunião.

Fez então uma oração simples, quase humilde demais:

“Senhor, se cheguei tarde, que eu ao menos receba as migalhas.”

Mas, em vez de migalhas, veio pão.

Veio um testemunho inesperado do diácono que presidia o rito. E, no centro dele, aquela frase: “O cristão nunca tem prejuízo.”


Quando Celso me contou o que havia acontecido, imediatamente lembrei-me da liturgia católica daquele mesmo domingo, o 18º do Tempo Comum. Do pão que não é apenas matéria. Do amor que não se perde. Da graça que insiste em florescer mesmo sobre os escombros dos nossos cálculos.

Percebi que Deus não estava apagando a dor do que vivemos. Não estava fingindo que nada havia sido perdido. Apenas se recusava a permitir que aquela perda tivesse a última palavra.

Às vezes, pedimos apenas migalhas para suportar mais um dia. E Deus, com sua delicadeza silenciosa, nos oferece pão.

Hoje, quando olho para trás, não vejo apenas a queda. Vejo os passos que continuaram depois dela. E, adiante desses passos, uma luz.

Porque, no fim das contas, o prejuízo não teve a última palavra.

A esperança teve.