Minhas expectativas são reais por causa da ousadia de desvendar um novo modo de ver a vida, de ir ao encontro de algo ou de alguém que possibilite o aumento de conhecimento.
Mesmo que venham as turbulências, acredito que as portas simplesmente serão abertas porque, nas reportagens, descobri novas pessoas, novas culturas, novos modos de vida. O documentário "Luther Blissett: cultura nos extremos de São Paulo", que foi produzido pelo meu grupo, permitiu descobrir comunidades, pessoas engajadas em produzir cultura, contar com pessoas especializadas na área cultural. O entusiasmo cresce, cada vez mais, a cada abordagem, a cada generosidade estabelecida com as pessoas antes de depois das reportagens. O tema escolhido e delimitado foi pura ousadia, porque foi preciso o deslocamento aos lugares mais distantes da cidade paulistana. O movimento mundial, no qual foi assumido como o pseudônimo de Luther Blissett, foi uma grata surpresa por acreditarmos na similaridade da relação de anonimato com o de dar voz àqueles que fazem cultura sem necessariamente depender de recursos ou de equipamentos públicos. Desmistificar a cultura da periferia como algo inferior. Ver que cada pessoa tem uma história e pode contribuir sua experiência para o expectador.
Pelo menos, com a experiência na produção do TC (Término de Curso), enxergo que ser jornalista é reportar o que o outro não sabe mas que pode contribuir para saber mais. O nosso documentário é resultado da aprendizagem e da pesquisa para compreender que, ainda, sabemos pouco. A produção é um modo de ver um resquício da realidade cultural nos extremos da cidade paulistana.
